A Família, versão 2020
- Catarina Arouca

- 15 de mai. de 2020
- 3 min de leitura

O ano de 2020 tornou-se desafiador a todos os níveis.
Iniciamos o ano com novos planos, novas perspetivas, novas metas, tão próprias da chegada da mudança que se atravessa.
A agenda de cada um foi preenchida com as tarefas normais e os eventos próprios das festividades que tão bem sabemos fazer. Desde festas de aniversário, batizados, casamentos ou férias em família. Entretanto, tudo suspenso.
Fomos surpresos por um novo coronavírus, o SARS-COV-2, vulgarmente conhecido por Covid-19, a doença que provoca.
Evolução da família e conceitos
Se nos últimos 20 anos já muita coisa tinha mudado nos desafios da família, nomeadamente na parentalidade, surge a necessidade de falar das novas realidades.
A parentalidade é uma das disciplinas mais difíceis da vida. Se é certo que o papel dos pais e educadores é bastante diferente atualmente, face ao que era há uns anos.
Algumas diferenças começam nas atividades que outrora eram realizadas pela mãe ou por outro elemento feminino da família, como o acompanhamento em atividades lúdicas, no preparar a higiene ou as refeições da família. Atualmente, este cenário familiar tem, cada vez menos, atribuição de género.
Por outro lado, o pai passou a estar mais presente, a mãe mais ausente. O pai passou a ocupar um novo lugar na família. A mãe adquiriu um papel de destaque na sociedade, quando há 20 anos a mãe tratava da educação, da casa e não trabalhava. A figura masculina representava a disciplina e a ordem.
As tarefas são partilhadas e não existe mais a desigualdade de papéis, embora a figura feminina continue a assumir mais responsabilidades.
Claramente que continuarão presentes outros exemplos ainda agregados ao antigo conceito, contudo, a evolução gradual da sociedade exigiu várias mudanças no meio familiar.
As exigências da modernidade
A sociedade pede constantemente provas do pai e mãe ideais. É natural ver alguns pais sofrerem de ansiedade, stress, angústia e frustração por considerarem que não correspondem àquilo que era esperado deles.
O tempo de Covid não está isento. Iniciou-se uma pressão junto dos pais de manterem atividades diárias, mantendo os seus filhos ocupados, entretidos, cultos.
As redes sociais foram e continuam a ser o pano de fundo deste cenário. Se por um lado há quem partilhe atividades incessantemente, por outro há quem exponha diariamente os menus saudáveis, os bolos e bolinhos diários. A demonstração da parentalidade na realidade virtual parece corresponder ao pai perfeito.
O julgamento parece uma constante quando se transparece uma forma de ser ou pensar ligeiramente diferente do comum e dá-se uma análise livre de quem tem acesso e pretende comentar uma simples fotografica, colocando em cheque qualquer forma de parentalidade.

Parentalidade Mindful
Este poderia ser considerado mais um novo conceito, uma nova moda ou mais uma mania da geração de pais atuais. Contudo, errado será pensar que o Mindfulness Parenting vem oferecer uma experiência de consciência que emerge através do prestar atenção voluntária, no momento presente, e sem julgamento.
Este conceito consiste ainda em promover a utilização do Mindfulness na vida diária da família, reagindo segundo os seus princípios a cada momento, no meio familiar.
Com o Mindfulness, os pais cultivam a paciência, clareza, reduzem o stress, promovem a ternura e bondade. Mas… Não era suposto ser assim mesmo? Não era deveríamos ser todos atentos, pacientes, bondosos ou até pouco stressados com as nossas crianças?
Então… este é um conceito novo?
De acordo com Jon Kabat-Zinn, ser um pai mindful significa prestar atenção aos filhos, exercendo a parentalidade de forma intencional, no aqui e no agora, sem julgamento.
Portanto, seria expectável que no nosso quotidiano conseguíssemos agir positivamente, em vez de reagir impulsivamente.
Muito há para falar sobre as famílias e muito fica por dizer sobre a parentalidade mindful, um conceito que se calhar ouve pela primeira vez, mas que vai concordar que não é tão inovador assim.
Neste dia em que se celebram as famílias, nas suas mais variadas formas e nomenclaturas, podemos refletir sobre as mudanças do conceito de família ao longo dos últimos anos e sobre as exigências da sociedade, na qual meio em que apenas devia predominar amor, tolerância, respeito, compreensão. E amor. Já o disse?




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